De Lourdes a Santiago de Compostela

por  OSWALDO BUZZO

Cenas Inesquecíveis de uma Peregrinação


Viajar como turista pressupõe conhecer lugares novos, aculturar-se, visitar museus, monumentos, cidades deslumbrantes, hospedar-se em esplêndidos hotéis, alimentar-se em excelentes restaurantes, percorrendo grandes distâncias à bordo de confortáveis ônibus, sempre acompanhado de guias eficientes e prestativos.

Caminhar como peregrino à Compostela é estar disposto a cooptar novos hábitos, enfrentar mais de trinta dias sob o sol, a chuva e o vento, sem a comodidade dos transportes, o conforto na hospedagem, nem a regularidade de lautas refeições. Tendo, ainda, sempre em mente que o sono, a fome, a sede e a dor são componentes indissociáveis da indumentária peregrina.

Então, para vivenciar condignamente essa aventura, é imprescindível ter paciência, respeitar o irmão, cultivar a humildade, manter o bom humor e, principalmente, estar sempre centrado no exercício da fé e no revigoramento da alma, numa intensa união espiritual com o Criador.

Eu, como todo peregrino reincidente, senti uma urgência irresistível de voltar ao Caminho. Por isso, depois de muito estudo e preparação e, para coroar um sonho antigo, encetei minha peregrinação em Lourdes (França), de onde parti em direção à Santiago, numa jornada ímpar, rica de momentos marcantes e inesquecíveis.

Durante os 32 dias em que caminhei, nos quais venci aproximadamente 1.000 quilômetros, vi lindas paisagens, transitei por locais maravilhosos, visitei igrejas e monumentos colossais, conheci cidades fantásticas, observei o povo local e fiz novas amizades.

Entretanto, passei, também, por maus bocados e momentos difíceis, alguns deles dramáticos e outros cômicos, porém, todos de aprendizado. Pequenas lições de vida e situações que, conscienciosamente, registrei em meu diário de viagem, algumas das quais, passo a declinar.